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Jogos da Seleção transformaram-se em programas de famílias ricas, um pay-per-view de luxo à elite.

Ilustração:: Wallison Gontijo

 

31/10/08
Torcedores de Copa

Pela terceira vez consecutiva, a Seleção Brasileira, jogando em casa, não saiu do zero, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa de 2010. E, também pela terceira vez consecutiva, Dunga e seus comandados foram vaiados e hostilizados pela torcida que, entre desconfianças e caros ingressos, apostavam em uma vitória verde-amarela. Não que a façanha – empates sem gols com Argentina e, principalmente, Bolívia e Colômbia – não seja digna de vaias, mas me fez refletir sobre o comportamento da torcida brasileira em jogos da Seleção.

Digo em jogos do Brasil porque a mesma postura do torcedor quando seu clube está em campo é completamente diferente. Com nossos times, apesar dos naturais distintos níveis de cobrança de cada torcida, tendemos a ser mais solidários e apoiadores. Com a Seleção, mesmo sendo ela a melhor e, naturalmente, nossa exigência ser igualmente proporcional, chega a ser irritante a cobrança extrema de nossa torcida. Se não abrirmos o placar logo no início, mantivermos o ritmo e as substituições não forem as mais óbvias, pode ter certeza que vem vaia. Isso quando não chegamos ao cúmulo de ouvir “olé” às jogadas dos países rivais.

Curioso observar também como os torcedores não esquecem seus times do coração, mesmo em jogos da Seleção. Nos estádios, prevalecem cantos e referências aos clubes do que propriamente à escrete canarinho.

Outro fator que me chama a atenção, fruto da elitização dos jogos da Seleção e da concentração das partidas em estados do Sudeste, é o perfil de nossos torcedores. Não temos mais bandeiras, não pintamos a cara, não soltamos foguetes, sinalizadores, não temos torcedores uniformizados, enfim, todas as características positivas das torcidas organizadas, que nossos vizinhos sul-americanos mantiveram, perderam-se com o tempo. Os jogos da Seleção transformaram-se em programas de famílias ricas, um pay-per-view de luxo à elite.

Não sei, todavia, se o nível de cobrança é um fenômeno recente, fruto exclusivo da antipatia da torcida com o técnico Dunga e da predominância de jogos no Sudeste. Mas é fato que não há mais identificação do povo brasileiro com a Seleção. Nossa paixão, aquela verdadeira e quase incondicional, se restringe às Copas do Mundo, de quatro em quatro anos. Nestas e nenhuma outra, acredito que o apoio é verdadeiro e se iguala à paixão a nossos clubes. Só não sei até quando será assim.

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2007

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Luiz Guilherme Ribeiro é jornalista, flamenguista, ateísta e mais alguns outros "istas". Escreve aqui todas as quintas. Fale com ele:luizguilhermemr@gmail.com


   
 

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